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A reeducação Alimentar como chave para o controle da obesidade

A obesidade é uma doença atualmente epidêmica em todo o mundo ocidental e oriental ocidentalizado. Nos países ricos, como os Estados Unidos, a proporção de obesos e portadores de sobrepeso (tendência a obesidade) chega a 50% da população. No Brasil, alguns levantamentos apontam para um número próximo a 30%. O problema está longe de ser estético. As doenças associadas á obesidade não poupam praticamente nenhum órgão ou sistema do organismo. As conseqüências de um estado de obesidade mantida no indivíduo levam a uma diminuição da expectativa, e piora evidente da qualidade de vida, tanto do ponto de vista físico como emocional.

Hoje se sabe que existem indivíduos com forte propensão genética para a obesidade. Estes indivíduos cuja identificação deve ser feita já na primeira infância, quando submetidos a condições propícias, certamente desenvolverão obesidade grave, com todas as complicações previsíveis. Já vai longe o tempo em que simplesmente rotulávamos o indivíduo obeso como um ser preguiçoso, indolente, ou ainda pior, sem caráter ou força de vontade. Sabemos que o paciente propenso simplesmente tem necessidades diferentes, e precisa, portanto de uma atenção diferenciada.

Até o momento, poucos tratamentos ou dietas restritivas mostraram eficácia a médio ou longo prazo. Os efeitos, principalmente nos tratamentos medicamentosos e nas famigeradas dietas rápidas, são mais negativos do que positivos, pois o organismo sofre mais com o efeito "sanfona" do que com um estado de obesidade estável. Os tratamentos medicamentosos, dietas radicais e internações em campos de concentração voluntários (os famosos spas...) só conseguem manter-se por uma associação mórbida entre a ganância de indústrias farmacêuticas, sempre tentando ampliar a indicação (e vendas...) de seus produtos, empresários inescrupulosos, médicos (e outros profissionais da saúde) sem consciência, sensibilidade ou compromisso real com a saúde de seus pacientes e estes últimos, geralmente desinformados, pressionados por uma sociedade que exige uma resposta rápida, com mudanças radicais sem importar-se com as conseqüências a curto, médio e longo prazo. Desta forma, os pacientes ao entrar no círculo vicioso de tratamentos repetidos, variados e quase sempre imediatistas e superficiais, estarão fadados a perder não só seu patrimônio, mas sua saúde e auto-estima, torpedeada pelos múltiplos fracassos.

Qual seria a solução? Em todos os centros universitários dedicados aos distúrbios nutricionais, onde existem programas de combate à obesidade os resultados positivos só são alcançados onde existe a formação de um grupo, ou equipe multidisciplinar, onde a ênfase é avaliar o paciente dentro de seu contexto, sem retirá-lo de seu mundo (caso dos spas...), e sim procurar melhorar sua rotina de vida, através da reeducação alimentar do paciente e sua família, dando suporte psicológico, orientação para atividades físicas agradáveis, criando um ambiente onde a cobrança não seja a de metas inatingíveis, ou insustentáveis... e sim da mudança progressiva, gradual e isenta de riscos à saúde do paciente. No caso de crianças e adolescentes este aspecto é ainda mais importante, pois qualquer tratamento medicamentoso, que em adultos podem ser utilizados (não da forma indiscriminada que ocorre em nossos dias...), só devem ser indicados em casos especiais, onde o custo-benefício pode compensar, ou onde existem outras doenças associadas (hipertensão e diabetes tipo 2 principalmente). Para nossos pacientes as dietas muito restritivas, além de não conseguirem a adesão do paciente (e família) ainda atrapalham o crescimento normal do indivíduo.