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Obesidade em crianças e adolescentes: Um desafio para todos!

Felizmente em nossos dias já existe uma boa percepção de pais e profissionais de saúde de que a obesidade é um problema muito maior que a simples questão estética. Existem milhares de trabalhos mostrando que o aumento do número de crianças e adolescentes obesos vem provocando graves e cada vez mais precoces conseqüências na saúde destes pacientes.

Já sabemos que existem casos em que a predisposição genética facilita muito o acúmulo rápido de gordura corporal, desencadeando uma "cascata" de mudanças do metabolismo que acabam por provocar o diabetes tipo 2 (que geralmente não necessita de insulina...) e outras doenças metabólicas e degenerativas associadas (hipertensão, distúrbios menstruais e de outros sistemas do organismo). Também sabemos com muita convicção que os fatores ambientais, como erros alimentares e vida sedentária são sempre os principais "gatilhos" da obesidade.

Ao mesmo tempo em que vamos descobrindo mais e mais conseqüências associadas e cada vez mais precoces, fica também mais clara nossa dificuldade em conseguir bons resultados sem uma atuação ampla e global, já que os fatores são múltiplos, e múltiplos devem ser os agentes de combate ao problema.

Para os pais modernos que tem a grande responsabilidade de educar seus filhos em um mundo de mudanças rápidas, fica a sensação de certa impotência frente a um inimigo com muitos tentáculos... Impotência esta que tem muitas explicações. Tempo reduzido para a "transmissão" de informações adequadas, ou seja, uma boa educação alimentar (que infelizmente muitos pais não possuem...), além do fato que a criança de hoje recebe influências mais diversificadas, vindas de outros parentes que cuidam como avós, tias ou mesmo babás... e outras "fontes" de informação como a TV, Internet e outras mídias poderosas, muitas subliminares, os coleguinhas de escola, etc.

A ciência médica já constatou que não adianta ficar simplesmente orientando os pais em consultórios ou ambulatórios, já que o índice de sucesso, que seria a real mudança de hábitos e a manutenção de um peso mais saudável são decepcionantes e caros. Tratamentos medicamentosos não resolvem, além de serem contra-indicados na maioria das crianças e adolescentes de risco.

O que fazer então? Se seu filho ou filha tem evidência de ganho mais acelerado que o normal, o mais importante é não menosprezar esta constatação inicial. Quanto mais cedo o diagnóstico do risco, mais fácil é a resolução do problema. Se em parentes próximos existem fatores considerados de risco (diabetes tipo 2, hipertensão e a própria obesidade) e seu filho ou filha estão em início de puberdade, aumenta mais a chance de um diagnóstico de diabetes tipo 2, que é uma condição muitas vezes totalmente assintomática. Procure seu pediatra e procure esclarecimento e orientação. E não se restrinja a uma postura passiva...

Devemos atuar como pais responsáveis, tentando combater o sedentarismo em nossas casas, diminuindo (mas não abolindo!) horas de TV, Internet e videogames, tentando melhorar nossa alimentação com mais frutas, legumes e verduras, pois nosso exemplo sempre será importante e pode fazer muita diferença tanto em nossa saúde como na de nossos filhos.

Devemos também agir nas escolas, sejam elas privadas ou públicas, para que as mesmas sirvam ou vendam alimentos que sejam mais saudáveis.

Finalmente devemos ter consciência que as mudanças devem ser promovidas sempre, de forma permanente, já que o risco sempre existe em quem tem uma predisposição genética, e não devemos cair na ilusão de um tratamento rápido, fácil e permanente, geralmente caros e que não funcionam, sendo até mesmo perigosos.

Se tivermos consciência de que estamos em uma guerra contra inimigos poderosos, da indústria alimentícia, setores (inclusive médicos e farmacêuticos...) interessados na "indústria da obesidade", e mesmo os setores governamentais interessados na arrecadação que os produtos e serviços beneficiados pelo consumo geram, teremos então a força de nossa conscientização como instrumento principal de promoção de cidadania para garantirmos um futuro menos sombrio do que a projeção atual descortina em nosso horizonte. Cabe a todos nós mudarmos esta realidade... o quanto antes!