Mitos e verdades da amamentação


Amamentar o bebê por, pelo menos, seis meses está entre as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Durante o período – e até antes dele – costumam surgir dúvidas sobre as fissuras nos seios, uso da mamadeira, leite ralo e até a posição correta para alimentar o bebê. A seguir, confira as respostas para os principais mitos e verdades da amamentação.


Não existe leite ralo


Verdade. De acordo com o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli Borges, “toda mulher é capaz de produzir leite em quantidade e com qualidade suficiente para nutrir seu filho”. De acordo com os autores do livro “O primeiro ano do seu bebê: mês a mês” (Editora CMS, 287 páginas, R$75), “alimentando-se com frequência, o recém-nascido estimula o mamilo e envia respostas para que o cérebro da mãe produza mais leite. Quando mamar, ele extrairá primeiro o leite mais aguado, que sacia a sede, seguido pelo leite mais grosso e repleto de calorias, que o deixará satisfeito”. 

Dieta restritiva pode prejudicar a saúde da mãe, mas não afeta qualidade do leite.

   
O bebê aproveitará os benefícios do leite materno, seja na mamadeira ou no seio da mãe
Parcialmente verdade. A fonoaudióloga Camille Siqueira Pinho, do Grupo Fonovital, explica que o ato de amamentar no seio ajuda a desenvolver a respiração, dentição e fala do bebê, além de prevenir doenças. “O movimento de sucção no seio da mãe estimula o desenvolvimento dos maxilares, que alinharão a dentição, enquanto músculos faciais firmes serão responsáveis pela fala correta. Durante a amamentação no seio da mãe, a criança também aprende a respirar corretamente pelo nariz.

Na mamadeira, o bebê adotará um padrão de sucção diferente, que não traz benefícios para a sua formação, já que esse processo tende a ocorrer de forma muito rápida e passiva, exercitando por menos tempo os seus órgãos fono-articulatórios. No entanto, no seio da mãe ou na mamadeira, a amamentação é o acontecimento mais importante da vida do bebê”, diz Camille. 

Mamadeiras: confira dicas de uso.

      
Coloquei próteses de silicone nos seios e, por isso, não posso amamentar


Mito. Segundo o cirurgião plástico Alexandre Barbosa, “a prótese de silicone pode ser colocada embaixo do músculo ou entre ele as glândulas mamárias, não interferindo no caminho do leite. Após a amamentação, mulheres que possuem silicone nos seios podem perceber uma mudança no formato dos seios que, em alguns casos, podem diminuir de tamanho. 

Silicone nos seios não pode ser desculpa para deixar de amamentar, diz especialista
.

 
Voltei a trabalhar após a licença maternidade e não poderei continuar amamentando


Mito. Extrair o leite com a bomba e oferecer ao bebê na mamadeira é mais saudável do que oferecer fórmulas prontas. “Não se preocupe se, ao começar a extrair o leite, você só conseguir algumas gotas. Isso é muito normal e é preciso prática para retirar mais leite. As mulheres costumam se preocupar com a cor do leite, que costumam variar de opaco e aguado a um laranja-amarelado. Lembre-se que se o bebê estivesse mamando no seio, você sequer saberia qual a cor do leite”, orientam os autores do livro “O primeiro ano do seu bebê: mês a mês”.

Assista ao vídeo e confira opinião de mães que retornaram ao trabalho, mas continuam amamentando.

       
A mastite não impede a amamentação


Verdade. A mastite é uma inflamação do tecido dos seios, que pode deixá-los infeccionados e sensíveis. Segundo o livro “O primeiro ano do seu bebê: mês a mês”, “a mastite pode acontecer quando os seios não são esvaziados adequadamente a cada mamada, devido a um duto bloqueado, sutiã apertado ou excesso de pressão dos dedos ao segurar o seio para oferecer ao bebê. Não existe risco que o bebê pegue a infecção, a melhor forma de curá-la é continuar esvaziando os seios, permitindo que a criança mame. Se surgirem sintomas parecidos com uma gripe, como febre e dor no corpo, entre em contato com médico, já que pode ser necessário tomar antibióticos”.

Doar o leite excedente para um banco de leite humano também é uma boa forma de resolver o problema e ainda ajudar a salvar a vida de recém-nascidos. 

Doação de leite materno pode salvar a vida de bebês prematuros
.

Conchas ajudam na preparação dos seios para a amamentação?


Parcialmente verdade. Bianca Balassiano, psicóloga e especialista em amamentação, não recomenda o uso sem indicação médica. “Não existe comprovação científica que justifique o uso indiscriminado. O obstetra, enfermeira ou consultora em amamentação precisa conhecer o histórico da mulher para indicar o uso das conchas, geralmente, para aréolas aderidas e mamilos curtos. Eu só recomendo o uso de conchas na intenção de proteger feridas abertas e profundas nos seios, já que o contato com a roupa pode causar desconforto”, diz Bianca. 

Saiba quando usar conchas, pomadas e outros produtos específicos para a amamentação.

   
As fissuras nos seios impedem a amamentação?


Mito. As fissuras são dolorosas para a mãe, mas podem ser evitadas. O surgimento de feridas nos seios costuma ter relação com a posição errada do bebê. De acordo com a consultora em amamentação, Bianca Balassiano, “o bebê deve abocanhar toda a aréola e não apenas o bico do seio e mamar sem intervalos pré-definidos. Estas medidas fazem com que a descida do leite seja mais rápida e efetiva e que o bebê venha menos faminto e nervoso ao seio. Para evitar o empedramento dos seios, recomendo fazer uma massagem imediatamente antes da mamada, ajudando a esvaziá-los um pouco e tornando a aréola mais flexível”.

Fissuras nos seios costumam ter relação com a posição do bebê. Assista ao vídeo e conheça a técnica correta.

      
Durante a amamentação devo evitar o consumo de alguns alimentos?


Parcialmente verdade. Durante o período de amamentação, o ideal é que a mãe siga uma dieta balanceada e beba muita água e sucos, o que vai ajudar a estimular a produção de leite. Alimentos condimentados podem causar gases no bebê, mas depende da resposta de cada criança. “O ideal é que a mãe se alimente com comidas de que gosta. Se houver casos de alergia alimentar na família, é sensato evitar a ingestão de determinados alimentos, como amendoim”, explicam os autores do livro “O primeiro ano do seu bebê: mês a mês”. 

Alimentação adequada durante a gravidez promove o desenvolvimento do bebê
 
Fonte: GNT