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Existe hora certa para presentear?

Ganhar presente é uma das coisas mais gostosas na vida, não é verdade? E por que será? Será por causa do objeto que ganhamos? Se pensarmos bem não é, ou melhor, não deveria ser.
 
O que mais importa mesmo é saber que aquela pessoa, em geral querida, gastou um tempo pensando no que a gente gostaria de ganhar, deixou de fazer algo para si com o dinheiro que gastou com o presente, passou uma parte de seu tempo para escolher e comprar etc. Em resumo: aquela pessoa dedicou uma parte de sua vida a quem deu o presente, mesmo à distancia. Tem coisa melhor do que isso?
 
O problema é que, na sociedade que valoriza tanto o consumo como a em que vivemos, tudo isso fica perdido. O presente perdeu seu valor afetivo, não é mesmo? E é isso o que ensinamos às nossas crianças.
Hoje, presentear ou ganhar um presente virou uma coisa banal: damos presentes aos nossos filhos porque chegamos tarde, porque eles pediram, porque tiraram uma nota boa etc.
 
Aquela sensação gostosa de esperar uma data especial  para ganhar um presente de alguém já não existe mais. E a surpresa, então, de querer saber o que se vai ganhar? Acabou também porque, hoje, em geral os presentes fazem parte de uma lista de desejos. Ou seja: as crianças quase sempre já sabem antecipadamente o que vão ganhar porque elas mesmo escolheram. Perdeu a graça.
 
Prova disso é a própria reação das crianças quando ganham algo: se não é o que esperavam fazem cara feia, na melhor das hipóteses. E quanto tempo gastam com o que ganharam? Pouco, muito pouco. Não valorizam mais os presentes.
O que fazemos é mais ou menos como dizer “Eu te amo” para uma pessoa dez vezes todos os dias. A frase – e o sentido dela – acaba por perder o imenso valor que poderia ter.
 
Ter ocasiões especiais para presentear as crianças cria uma magia para elas: aprendem a esperar, a desejar, a lidar com a alegria e o desapontamento, a contar os dias que faltam para ganhar a surpresa e muito mais. E aprendem que o valor maior do presente é o afeto contido naquele gesto.