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Diabetes e crianças pequenas... não precisa ser um grande problema!

O diabetes nos primeiros anos de vida é sempre do tipo 1, o que significa aplicações diárias de insulina e controle alimentar.

Como é uma fase de desenvolvimento rápido, o metabolismo é mais dinâmico e sujeito a flutuações mais bruscas da glicemia devido à inconstantes níveis de atividade, aceitação alimentar e mesmo pela maior freqüência de infecções, principalmente virais.

Apesar de o ideal ser a terapia intensiva, com 3 ou mais doses e associação entre insulina intermediária e rápida para um controle ótimo, um controle aceitável é obtido com a utilização de 2 a 3 doses diárias de insulinas intermediárias (NPH, ou lenta). Hoje também dispomos de novas alternativas (mesmo que mais caras...) como os análogos de insulina lentos (glargina e detemir) associados com insulina rápidas (regular) ou análogos rápidos (lis-pro e aspart), indicados quando a criança se mantém muito instável, e com hipoglicemias alternando com hiperglicemias, mesmo com boa distribuição da alimentação. Cada criança tem o seu diabetes, com respostas muito particulares, e merece sempre uma atenção bastante individualizada, pois o melhor esquema para uma, mesmo utilizando insulinas mais novas (e caras...) pode não trazer o mesmo padrão de controle de outra, que pode conseguir um bom controle com insulinas mais simples. Por esta razão geralmente trabalhamos com "metas de controle", individualizadas para cada criança e levando em consideração inclusive os fatores sócio-econômicos da família.

A dificuldade em reconhecer rapidamente as crises de hipoglicemia, tanto pela velocidade com que se instalam, como pela falta de verbalização das crianças menores de 2 anos, torna fundamental a auto-monitorização de rotina, que propicia maior segurança ao paciente e tranqüilidade á família. A monitorização freqüente (3 a 4 vezes ao dia), embora extremamente útil, muitas vezes pode acarreta problemas de ordem prática, como aumento da resistência da criança pequena ao procedimento, e mesmo indução dos pais, principalmente no início da doença, para tomada de medidas incorretas em resposta às flutuações glicêmicas observadas. É aceitável, portanto, deixar o nível de HbA1c em níveis um pouco mais altos nos primeiros anos de vida (15 a 20% acima do limite normal), desde que observemos um crescimento e desenvolvimento normais.

A transferência de responsabilidade é gradual, sendo que podemos estimular a realização de auto-monitorização e auto-aplicação a partir de 6-7 anos, processo facilitado quando os pais transmitem tranqüilidade e segurança, pois as noções básicas de limites e disciplina aplicáveis a qualquer criança são as mesmas para o paciente diabético, evitando uma postura de superproteção. A progressão para uma terapia intensiva também deve ser feita de forma gradual, respeitando os limites emocionais e sócio-econômicos do paciente e sua família.

A sensibilidade e disponibilidade do médico assistente são fundamentais neste processo. Não podemos nos esquecer nunca que antes de ser diabética, é uma criança que merece, pode e deve crescer saudável e feliz!